Informe sobre a manobra utilizada pela CEDAE para conter a presença de geosmina na água

A Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – seção Rio de Janeiro (ABES-Rio) vem a público esclarecer sobre as recentes reportagens que tratam sobre a manobra utilizada pela CEDAE para conter a presença de geosmina na água, demonstrando erroneamente que a água distribuída estaria supostamente contaminada por metal pesado. 

As matérias foram publicadas após a Estação de Tratamento do Guandu sofrer uma parada, na terça-feira, dia 7 de abril, devido a instalação de um sistema que visa reduzir as condições propícias para o desenvolvimento de cianobactérias na lagoa de captação de água. Consequentemente à medida, alguns bairros da capital e da Região Metropolitana tiveram o fornecimento de água interrompido ou funcionando de forma irregular.

De acordo com o Conselho Regional de Química (CRQ), o PHOSLOCK®️, utilizado pela CEDAE como remediador físico-químico na água bruta (antes do tratamento), destina-se à redução de fósforo por meio da adsorção dos íons fosfatos solúveis no meio aquático. O material é constituído de argila bentonita ionicamente modificada pela presença de Lantânio (La), que, diferentemente do que foi veiculado, é uma terra rara e não um metal pesado, e apresenta baixa toxicidade com risco não identificável para a saúde humana. A declaração do CRQ pode ser vista na íntegra no seguinte link https://crq3.org.br/suposto-lancamento-de-metal-pesado-na-agua-pela-cedae/

Em nota de esclarecimento divulgada ontem (7) pela CEDAE, a companhia afirma que a água distribuída é segura para o consumo e não está contaminada com metal pesado. O documento também frisa que não houve lançamento da argila lantânica na água tratada e distribuída à população. A nota da CEDAE pode ser vista na íntegra no seguinte link https://cedae.com.br/Noticias/detalhe/nota-de-esclarecimento/id/834

A interpretação sobre as recentes reportagens acerca da suposta contaminação da água por metal pesado, induz ao incorreto entendimento da questão por parte da população, gerando desconforto, desconfiança e até mesmo temor quanto aos serviços públicos ofertados. A ideia de rejeição à água disponibilizada pelo sistema público e coletivo, tem reflexo sobre o menor consumo por parte da população, podendo até mesmo inibi-lo para a simples e necessária hidratação humana.

A crise do abastecimento de água da RMRJ de fato requer a maior atenção por parte das universidades e institutos de pesquisa, mas pelo contrário, prescinde da geração de novos fatos desprovidos de amparo técnico robusto e consistente que os justifiquem.

A ABES-Rio salienta que a desinformação é extremamente prejudicial neste momento crítico em que a água é um dos principais aliados da população nas medidas de higiene e proteção para o combate à pandemia do coronavírus. 

Por fim, a ABES-Rio reitera que soluções emergenciais, como as adotadas pela CEDAE hoje, não podem se tornar medidas permanentes. O projeto previsto de transposição dos rios Poços/Queimados e Ipiranga deve ser visto como uma solução transitória. A solução definitiva para acabar com o problema de eutrofização na captação do Guandu passa pela universalização do sistema de esgotamento sanitário na bacia deste rio.

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