O PodSanear, podcast da ABES-RJ, recebeu o engenheiro civil Luiz Carneiro de Oliveira, atual 1º vice-presidente do CREA-RJ e que ocupou interinamente a Presidência do Conselho entre abril e julho de 2026, para uma conversa abrangente sobre sua sólida trajetória profissional e os complexos desafios da infraestrutura no estado do Rio de Janeiro, com foco em saneamento, mobilidade urbana e energia.
O convidado compartilhou sua rica história de vida e carreira, desde a opção pela engenharia civil (com ênfase em estradas e transportes) na UFRJ até sua trajetória no conselho, onde transmitiu o cargo em 6 de julho para o presidente titular reeleito, Miguel Fernández, que reassumiu a gestão. Com uma bagagem que atravessa décadas de desenvolvimento do estado, Luiz relembrou experiências marcantes, como sua atuação no saneamento da bacia do Rio Berço, em Botafogo, a participação na construção das Linhas 1 e 2 do Metrô do Rio nos anos 70, e o emblemático Programa de Despoluição da Baía de Guanabara na bacia de Icaraí, em Niterói, considerado por ele um marco na qualidade de vida local.
Durante a entrevista, o engenheiro abordou a gestão do conselho, destacando a solidez financeira da instituição, a modernização dos sistemas de tecnologia e os planos de transformar a sede em um espaço dinâmico de convivência, inovação e suporte para os profissionais da área.
O episódio trouxe profundas reflexões sobre o panorama do saneamento fluminense, resgatando o valor histórico do interceptor oceânico e do emissário de Ipanema, ao mesmo tempo em que apontou as deficiências atuais em drenagem, gestão de resíduos e o crescimento imobiliário desequilibrado em regiões como a Barra da Tijuca. Na mobilidade, analisou a degradação do sistema ferroviário e defendeu a expansão do metrô como solução estrutural para o Grande Rio. Além disso, lançou um olhar crítico sobre as barreiras internas que travam o setor energético nacional, como as obras de Angra III e a exploração na Margem Equatorial.
Um dos pontos altos do debate foi a crítica contundente ao modelo de licitações públicas baseado no “menor preço”. Luiz argumentou que a busca pelo menor custo inicial frequentemente resulta em obras de baixa qualidade, atrasos e custos duplicados para o erário público, como observado em intervenções de BRT no Rio. Em sua visão, o poder público deve priorizar o conceito de “melhor preço”, valorizando a proposta técnica, a durabilidade dos projetos e a visão estratégica de longo prazo.
O episódio completo está disponível no canal da ABES-RJ no YouTube.



